A plataforma ‘fantasma’ de Osasco

Obra em estação inaugurada na campanha eleitoral de 2012 segue com complemento abandonado

Há quatro anos, um evento com pompa movimentou a estação de Osasco, no centro da cidade da Grande São Paulo. Com a presença do governador Geraldo Alckmin e de políticos que disputariam a prefeitura naquele ano, a estação recebia a primeira escada rolante da história entre outras estruturas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) no município.

Também foram entregues novos trens e inaugurada uma passarela que ligaria o centro à zona norte da cidade, trajeto que antes era feito por túneis perigosos e desgastados que assustavam no período da noite e quando chovia. Mas, em meio a festa, o corte da fita de inauguração e os selfies (que ainda não tinham esse nome) com o governador, algo ficou de lado, e não era algo assim pequeno. Era só uma plataforma.

plataforma-osasco-interna

Estruturas abandonadas deixam dúvidas como: seriam para uma nova linha? — Foto: Paulo Talarico | Agência Mural

Foi só festa?

Sim. Terminada a fanfarra, os moradores ficaram contentes com a escada e o acesso para deficientes, porém, quem anda pela estrutura até hoje vê do outro lado do trilho uma obra paralisada, com as estruturas construídas sem cobertura e com peças de concreto largadas ao lado.

Alguns imaginaram que dali surgiria mais uma linha de trem, além das duas que atendem hoje a cidade [Linha 8 Diamante — trajeto Itapevi/Julio Prestes e Linha 9 Esmeralda — Osasco/Grajaú, na zona sul da capital]. O problema é que, com os terrenos em volta, não seria possível criar um trilho adicional que saísse da estação.

Em 2013, a CPTM explicou que o objetivo de mais uma plataforma visava atender melhor a demanda de usuários. Mesmo assim, o que era para aprimorar esse atendimento, ficou paralisado. Outros aspectos da reforma também empacaram. As plataformas têm fios soltos com uma aura de improviso.

Sem prazo para terminar

A Companhia afirma que as obras de ampliação foram interrompidas em decorrência de uma disputa judicial entre a CPTM e a empresa contratada. Diz ainda que em junho os impedimentos legais para a rescisão do contrato foram afastados e que começará a desenvolver os processos necessários para uma nova licitação, para conclusão da obra.

Com isso, a ‘inauguração’ de 2012 era apenas uma parte da obra que, hoje, não tem prazo para terminar. “Na primeira fase da obra, que compreendeu construção de aproximadamente 8.000m² de área, foram implantados dois novos acessos, instalados elevadores, novas escadas rolantes e bicicletário, além da reurbanização do entorno da estação”, cita a CPTM.

Nem o período eleitoral deste ano retomou o empenho de concluir o trabalho. Será que fica para daqui mais quatro anos?

Com Agência Mural | Paulo Talarico | Osasco